
"O brasileiro não gosta do Brasil, ele gosta de ganhar. Se o Brasil ganha, ele tem orgulho e amor. Se perde, queima bandeira."
Hoje o Brasil foi vergonhosamente derrotado de 7 a 1 pela Alemanha. Depois da lesão que Neymar sofreu que o tirou da Copa e o cartão amarelo que afastou Thiago Silva, muitos de nós não esperávamos que a seleção ganhasse dos alemães, por mais que ainda nutríssemos certa esperança. Mas o que se viu foi muito pior do que qualquer um esperava. Nem o mais otimista dos alemães ou o mais pessimista dos brasileiros imaginava que hoje, no Mineirão, veríamos a maior goleada que a seleção brasileira tomou na história. Em casa. Foi um baque pra toda uma nação.
Ou melhor, pra quase toda uma nação.
Da derrota, erguem-se dois tipos, um tão detestável quanto o outro: o pseudo-cult que se acha melhor do que todos por não gostar futebol, e dos pseudo-patriotas que com a derrota do Brasil se acham no direito de expressar sua revolta, como se só agora valesse a pena questionar os problemas do Brasil (problemas que estes, e muitos de nós, meramente ignoraram durante toda a vida, não apenas durante a Copa).
Os primeiros se veem realmente no direito de julgar todos os que são amantes do futebol, taxando o esporte de "coisa de alienado" como se fossem superiores por isso. O mais engraçado de tudo é que escolhem a seleção como um alvo. Houve desvios de verba? Torceremos contra a seleção. Há corrupção no Brasil? Torceremos contra a seleção. Minha unha tá encravada? Torceremos contra a seleção. Que a Copa podia ser usada como um poderoso instrumento político isso sempre foi bem óbvio, mas sinceramente isso não torna todo torcedor um alienado. Só que na cabeça desses elitistas é isso que há. O futebol, em si, torna-se um mero bode expiatório para pessoas que não apresentam nenhuma proposta concreta de mudança. Esse é o legado desse nosso maldito complexo de vira-lata, onde tudo o que vem de fora é melhor e nada no Brasil presta.
Claro que ninguém é obrigado a gostar de futebol. Mas filhão, não é torcendo contra a seleção que você vai fazer um hospital de primeiro mundo surgir do nada não, ok?
O segundo tipo é pra mim ainda mais desprezível. Isso porque esses indivíduos passaram os últimos dias com aquela euforia ufanista, gritando "eeeeeu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor..." e agora depredam patrimônios públicos, queimam bandeiras e praticam vandalismo, como se a derrota do Brasil hoje os tivesse feito "abrir" os olhos para os problemas que este país enfrenta (problemas esses para os quais muitos de nós temos fechado os olhos por toda a vida, não apenas por causa da Copa - lidem com isso). Sério, o que essa gente tem na cabeça? Resumir patriotismo, amor à sua própria nação, ao desempenho da seleção nas Copas? Que mente limitada a deles. E sabemos que não são poucos os que pensam assim - é uma mentalidade de milhões, o reflexo dos erros crassos que assolam nossa cultura do futebol. Daí vem a frase que usei no início do texto.
Ah, e nem preciso avisar que queimar a bandeira é crime contra o símbolo nacional, né? Só pra constar.
Sinceramente? Não dá pra mensurar a pressão psicológica que a seleção deviam estar sofrendo da mídia, da comissão técnica, de si mesmos, tendo a responsabilidade de jogar - e ganhar - uma Copa em seu próprio país, no "país do futebol", 64 anos após algo como o Maracanaço. É fácil falar que eles foram uns chorões (no jogo contra o Chile e neste), difícil é entender o que mais estava em jogo naquele campo além da bola, toda as responsabilidade, o peso. O psicológico deles deve estar abalado pra caramba e precisa ser bastante trabalhado, até porque ainda falta disputar o terceiro lugar. Pra eles foi um fracasso, não importa o que a gente diga. Se tivessem trabalhado pra jogar por si e não por toda uma nação (uma nação tantas vezes ingrata, hipócrita e ignorante), o impacto da derrota certamente teria sido menor. Mas a derrota ainda estaria lá. É toda uma cultura futebolística aqui no Brasil que precisa ser mudada, desde suas bases.
Olha, não dá pra mensurar a pressão psicológica que esses caras deviam estar sofrendo, da mídia, dos superiores, de si mesmos. É fácil falar que eles foram uns chorões, difícil é entender o que mais estava em jogo naquele campo além da bola. O psicológico deles tá fudido e precisa ser bastante trabalhado. Pra eles foi um fracasso, não importa o que a gente diga. Se tivessem trabalhado pra jogar por si, o impacto da derrota poderia ter sido menor, mas a derrota ainda estaria lá. É toda uma cultura futebolística aqui no Brasil que precisaria ser mudada lá nas suas bases..
O que sei é que o país do futebol não deve ter vergonha de sê-lo, nem se limitar a sê-lo. Ele só precisa de novas óticas num mar de dualismos forçados.
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ResponderExcluirMais uma vez obrigado, Taina!
ExcluirExcelente texto, realmente o brasileiro é assim. Veste a camisa, canta e torce enquanto está indo tudo bem. Até a seleção perder, pronto assim se testa quem é realmente brasileiro. Comentários que eu ouvir depois do jogo do tipo “me da vergonha de ser brasileiro”...como se ser brasileiro está apenas relacionado em ganhar um jogo de futebol, ninguém se colocar no lugar dos jogadores apenas coloca a culpa neles. Aqui em Aracaju já tinha pessoas marcando no whatsApp para fazer protestos , como se isso fosse resolver alguma coisa. Desculpe- me acabei falando demais ^^ Parabéns pelo texto.
ResponderExcluirFala totalmente pertinente, Sara. Uma coisa tremendamente irritante que tô vendo é a exploração psicológica feita sobre isso pela mídia. Algo desnecessária e que só alimenta esse sentimento "pseudo-patriota" de que falei no texto, pois faz um escarcéu sensacionalista com um fato que é sim doloroso, mas não da forma que querem parecer. Só tão piorando tudo, encorajando esses seres que protestam por um motivo tão fútil.
ExcluirObrigado por dar sua opinião!