A questão, creio eu, é que não dá pra viver cada um "em seu quadrado". A partir do momento em que nós, enquanto seres sociais, passamos a viver em conjunto com outros indivíduos, exercemos influência sobre o nosso meio, em diferentes graus, é claro, através de nossas crenças, valores, opiniões, atitudes e muito mais. Podemos até esconder algumas de nossas características, mas de uma forma ou de outra temos um peso nesse sistema social. Você é o que você faz de sua vida.
Agora, porque eu tenho de acreditar ou aceitar que tudo nesse mundo se resume a extremos? Que só existe as opiniões A e B, nunca uma C? Eu já disse antes, eu sou a Suíça. Já afirmei várias vezes que tento encontrar os meios-termos para tudo. É assim que sou, pelo menos desde o ano passado. Não necessariamente isso implica que estarei sempre certo (ninguém nunca está), mas em um mundo onde a verdade é um conceito cada vez mais relativo em favor de "variáveis" que são no fundo meros pensamentos de conveniência, tento observar as coisas por um ângulo que me faça analisar os extremos.
Eu busco não ser um crente fanático e/ou legalista, mas daí a você achar que eu aceito passivamente tudo o que se passa no mundo já é um grande erro, meu amigo.
A fé cristã exige a ação. Jesus não disse "recebeis minha salvação e sentais confortavelmente em suas cadeiras", mas sim "ide e pregai o evangelho a toda criatura". Esta não é a fé para ser experimentada apenas entre quatro paredes meu amigo, longe do conhecimento do resto do mundo. É fé para ser vivida no falar, no agir, no olhar, no pensar, fé que nos inunda, que transborda e alcança os outros, que muda a vida de quem está ao nosso redor. Que resulta numa interferência gloriosa.
Nem preciso dizer que não é isso que estamos fazendo com ela.
Uma vez cristãos, devíamos PERMITIR o amor do Eterno em nós. Amor esse que nos levaria a amar sem distinção, a fazer o bem sem olhar a quem. Veja bem, não estou falando no amor eros, deste de um casal. É no sentido mais genuíno da palavra, é "colocar as necessidades do outros à frente das suas", como diria Olaf, o boneco de neve de Frozen. Mas não é isso que acontece. Pelo contrário, "amor cristão" se tornou uma referência irônica ao fanatismo, à intolerância. Porque é por isso que nós temos sido conhecidos hoje em dia. What a shame.
(Obs.: apenas ressaltando que "tolerância não significa aceitar o que se tolera", já disse Gandhi.)
Eu sempre fui desses que acredita e segue a máxima expressa na letra da canção "Seen and Not Heard" do Petra: "Actions speak a little louder than words" (Ações falam mais alto do que palavras). Ou seja, aquilo que você faz fala mais alto do que o que você fala. Mas será que minhas atitudes comprovam os meus valores, o meu ideal de buscar meios-termos, ser respeitoso com todos? Muitas vezes não, e mesmo essa consciência ainda não é suficiente para que eu mude em prol disso.
É necessária essa mudança, não só a mim, mas a milhões de cristãos que estão MANCHANDO a imagem do evangelho dia após dia. Dedicando tantos esforços a um pecado específico quando ignoram - e pior ainda, vivem - tantos outros no seu cotidiano. Que balança é essa? Esta renegação ao Pai implica em trágicas consequências, mas nunca é tarde demais. Metanoia. Mudança de sentido.
Ora vem, Senhor Jesus. Porque o negócio tá feio.
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