Desde moleque eu tenho algumas manias pra lá de esquisitas: a de fazer mapas (ok, essa não é tão esquisita assim, afinal de contas é como eu quero me sustentar quando for engenheiro civil), marcar o tempo de música e filmes em relógios, decorar músicas e cantarolar as partes da bateria e criar discografias de bandas falsas, de preferência de rock progressivo. Normalmente eu seria chamado de retardado por causa disso, e talvez de fato eu seja, mas agora que faltam dois meses pra eu ir embora percebo que tenho de abdicar de algumas dessas coisas simplesmente porque elas não fazem sentido em minha vida.
O engraçado é que, embora eu me sinta extremamente idiota por ter tais manias, não consigo suportar a ideia de jogar fora cadernos repletos de memórias lá dentro. Besteiras da minha infância, coisas que não fazem sentido pra mim agora e farão menos ainda quando for mais velho. No entanto, isso não deixa de ser uma parte de mim.
Crescemos e deixamos certos valores/gostos/ideias para trás, porque temos de crescer, amadurecer, transmutar. Lamentavelmente, se quando éramos novos desejávamos com tanto anseio crescermos, quanto mais envelhecemos mais nos apegamos ao passado, às memórias de quem um dia fomos. Nunca estamos satisfeitos. Largamos mão de quem somos e pomos nossas máscaras para sermos aceitos, simplesmente porque o homem, enquanto ser social, busca a interação com o próximo. Mas estes dias que vivemos... Do que vale a pena ser autônomo num mundo de padronizações? Não há lugar para minhas bandas fictícias. Não sem o preço da eterna zombaria.
"Matai o menino e deixai o homem crescer". Essa frase é tão verdadeira a cada um de nós que chega a ser dolorosa. Mas sinceramente, até que ponto vale a pena deixar o homem crescer? Quer dizer, a criança que um dia fomos se impressionaria ou se orgulharia com quem estamos nos tornando? Pra muitos a resposta é uma tremenda negativa. Inclusive pra mim, temo.
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