sábado, 31 de agosto de 2013

O universo dentro de um livro, pt. 1 - ASOIAF e os reflexos dessa série em minha vida.

Pessoal, antes de tudo peço desculpas por não ter postado ontem. Foi um dia cheio de responsabilidades e pouquíssimo tempo tive para o computador (ou seja, não foi um dia comum pra mim). Mas enfim, here we are, e vamos continuar com mais postagens. Dado que meu último post anteontem foi sobre a minha relação com a escrita, acho válido que sua sequência seja sobre minha relação com a leitura e a importância desta em minha vida.

Já que no meu post anterior eu já dei pinceladas da minha relação com a literatura para explicar minha vocação para a escrita não vou me ater muito a essa parte. Mas bom, já expliquei que em certo período da minha vida deixei de ler no ritmo dos primeiros anos da segunda infância, embora nunca deixando realmente o hábito de ler. Por volta de 2007 e 2008 passei a criar interesse na fantasia, expressa em minhas leituras d'As Crônicas de Nárnia, Harry Potter e posteriormente Percy Jackson. Mas a série que definitivamente resgatou meu gosto pela leitura, seja a fantástica ou de tantos outros gêneros, foi As Crônicas de Gelo e Fogo.

Se você não esteve fora da Terra nesses últimos anos então deve ter ouvido falar da aclamada série Game of Thrones. Pois bem, As Crônicas de Gelo e Fogo (ou A Song of Ice and Fire, seu título original em inglês cuja abreviação, ASOIAF, é o modo como irei me referir a ela) são os livros que originaram o seriado. E você sabe né? O livro é sempre melhor que o filme/a série. E por Deus, nenhuma série revolucionou meus pontos de vista como ASOIAF.

O motivo pelo qual digo isso é que o autor, George R.R. Martin, genialmente subverte alguns dos mais clichês que sempre estiveram presentes na fantasia. Não há heróis ou vilões. Apenas pessoas falhas, com defeitos e qualidades, que podem se render ou se corromper, agindo em favor de seus próprios interesses ou obtendo a chance de agir em favor dos outros. A fantasia não é o foco, e sim um elemento integrante do universo onde a história se passa, com o foco sendo nas intrigas de poder, a disputa do Trono de Ferro que deu nome ao primeiro livro e à série. Contudo, a magia está lá, inicialmente aparecendo de forma meio que implícita, para gradualmente crescer e estabelecer sua importância dentro do contexto da série.  Como o próprio Martin gosta de fazer, eu parafraseio Willian Faulkner, que disse: "o coração em conflito consigo mesmo é a única coisa sobre a qual vale a pena escrever". 

E é claro, ninguém é imortal: qualquer um pode morrer. Já virou uma máxima chamar Martin de "assassino de personagens favoritos", e bom, isso é de certa forma verdade. Mas nenhuma morte é em vão; cada uma tem seu propósito, sua justificativa, seu peso pra série. Há abundância de elementos adultos: muita violência, sexo, palavrões. Não é coisa pra crianças. Ele lida com temas pesados, bastante atuais, embora a história se passe numa sociedade medieval. As personagens femininas são extremamente fortes e complexas, mesmo diante de uma sociedade machista e patriarcal. O uso de POVs (Points of View=Pontos de Vista) nos capítulos, oferecendo vários narradores à história, é um método genial, que nos faz saber o que pensam amigos e inimigos, tirando de nós até mesmo o direito de julgar personagens por suas ações, pois sabemos o que se passa em suas cabeças, sabemos o que o motivo, acabamos por nos afeiçoar a eles. Não raramente opiniões nossas sobre determinados personagens se alteram ao longo da série (cof cof Jaime Lannister cof cof), para o bem ou para o mal.

Como ASOIAF influencia em minha vida? Principalmente na minha escrita. Praticamente tomei pra mim o uso de POVs nos meus livros, especialmente em "As Terras do Caos", que segue uma linha parecida com a obra de Martin. Mesmo n'As Crônicas dos Guardiões (a série a qual pertencem "O Destruidor de Mundos" e "A Última Fronteira"), que é uma série infanto-juvenil e portanto suscetível aos clichês eu tento imprimir elementos mais sérios e sombrios, bem como o uso de plot twists (reviravoltas no enredo), em consonância com o que eu aprendi lendo ASOIAF. E não sou só eu: tem se visto realmente uma quebra de paradigmas na literatura fantástica nesses últimos anos, um reflexo da importância dessa série na literatura atual, que ao quebrar clichês deu a jovens e velhos autores a possibilidade de inovar num gênero conhecido por seus lugares-comuns.

Inicialmente minha intenção era tratar de toda a questão da literatura em um único post. Mas sempre que começo a falar de George R.R. Martin e sua magnum opus eu corro sérios riscos de devanear. Por isso no próximo post tratarei da importância da literatura em geral, não só em minha vida como para qualquer um.

2 comentários:

  1. Muito bom o texto, Vinícius!! Foi a mesma sensação que eu tive ao ler ASOIAF! Todos os paradigmas que eu estava acostumado com esse tipo de literatura caíram por terra ao apreciar essa grande obra! Continue com o blog e sucesso aí!

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