Pessoal, antes de tudo peço desculpas por não ter postado ontem. Foi um dia cheio de responsabilidades e pouquíssimo tempo tive para o computador (ou seja, não foi um dia comum pra mim). Mas enfim, here we are, e vamos continuar com mais postagens. Dado que meu último post anteontem foi sobre a minha relação com a escrita, acho válido que sua sequência seja sobre minha relação com a leitura e a importância desta em minha vida.
Já que no meu post anterior eu já dei pinceladas da minha relação com a literatura para explicar minha vocação para a escrita não vou me ater muito a essa parte. Mas bom, já expliquei que em certo período da minha vida deixei de ler no ritmo dos primeiros anos da segunda infância, embora nunca deixando realmente o hábito de ler. Por volta de 2007 e 2008 passei a criar interesse na fantasia, expressa em minhas leituras d'As Crônicas de Nárnia, Harry Potter e posteriormente Percy Jackson. Mas a série que definitivamente resgatou meu gosto pela leitura, seja a fantástica ou de tantos outros gêneros, foi As Crônicas de Gelo e Fogo.
Se você não esteve fora da Terra nesses últimos anos então deve ter ouvido falar da aclamada série Game of Thrones. Pois bem, As Crônicas de Gelo e Fogo (ou A Song of Ice and Fire, seu título original em inglês cuja abreviação, ASOIAF, é o modo como irei me referir a ela) são os livros que originaram o seriado. E você sabe né? O livro é sempre melhor que o filme/a série. E por Deus, nenhuma série revolucionou meus pontos de vista como ASOIAF.
O motivo pelo qual digo isso é que o autor, George R.R. Martin, genialmente subverte alguns dos mais clichês que sempre estiveram presentes na fantasia. Não há heróis ou vilões. Apenas pessoas falhas, com defeitos e qualidades, que podem se render ou se corromper, agindo em favor de seus próprios interesses ou obtendo a chance de agir em favor dos outros. A fantasia não é o foco, e sim um elemento integrante do universo onde a história se passa, com o foco sendo nas intrigas de poder, a disputa do Trono de Ferro que deu nome ao primeiro livro e à série. Contudo, a magia está lá, inicialmente aparecendo de forma meio que implícita, para gradualmente crescer e estabelecer sua importância dentro do contexto da série. Como o próprio Martin gosta de fazer, eu parafraseio Willian Faulkner, que disse: "o coração em conflito consigo mesmo é a única coisa sobre a qual vale a pena escrever".
E é claro, ninguém é imortal: qualquer um pode morrer. Já virou uma máxima chamar Martin de "assassino de personagens favoritos", e bom, isso é de certa forma verdade. Mas nenhuma morte é em vão; cada uma tem seu propósito, sua justificativa, seu peso pra série. Há abundância de elementos adultos: muita violência, sexo, palavrões. Não é coisa pra crianças. Ele lida com temas pesados, bastante atuais, embora a história se passe numa sociedade medieval. As personagens femininas são extremamente fortes e complexas, mesmo diante de uma sociedade machista e patriarcal. O uso de POVs (Points of View=Pontos de Vista) nos capítulos, oferecendo vários narradores à história, é um método genial, que nos faz saber o que pensam amigos e inimigos, tirando de nós até mesmo o direito de julgar personagens por suas ações, pois sabemos o que se passa em suas cabeças, sabemos o que o motivo, acabamos por nos afeiçoar a eles. Não raramente opiniões nossas sobre determinados personagens se alteram ao longo da série (cof cof Jaime Lannister cof cof), para o bem ou para o mal.
Como ASOIAF influencia em minha vida? Principalmente na minha escrita. Praticamente tomei pra mim o uso de POVs nos meus livros, especialmente em "As Terras do Caos", que segue uma linha parecida com a obra de Martin. Mesmo n'As Crônicas dos Guardiões (a série a qual pertencem "O Destruidor de Mundos" e "A Última Fronteira"), que é uma série infanto-juvenil e portanto suscetível aos clichês eu tento imprimir elementos mais sérios e sombrios, bem como o uso de plot twists (reviravoltas no enredo), em consonância com o que eu aprendi lendo ASOIAF. E não sou só eu: tem se visto realmente uma quebra de paradigmas na literatura fantástica nesses últimos anos, um reflexo da importância dessa série na literatura atual, que ao quebrar clichês deu a jovens e velhos autores a possibilidade de inovar num gênero conhecido por seus lugares-comuns.
Inicialmente minha intenção era tratar de toda a questão da literatura em um único post. Mas sempre que começo a falar de George R.R. Martin e sua magnum opus eu corro sérios riscos de devanear. Por isso no próximo post tratarei da importância da literatura em geral, não só em minha vida como para qualquer um.
Inicialmente minha intenção era tratar de toda a questão da literatura em um único post. Mas sempre que começo a falar de George R.R. Martin e sua magnum opus eu corro sérios riscos de devanear. Por isso no próximo post tratarei da importância da literatura em geral, não só em minha vida como para qualquer um.
Muito bom o texto, Vinícius!! Foi a mesma sensação que eu tive ao ler ASOIAF! Todos os paradigmas que eu estava acostumado com esse tipo de literatura caíram por terra ao apreciar essa grande obra! Continue com o blog e sucesso aí!
ResponderExcluirValeu, meu amigo!
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